O nascimento de um mundo

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Bem, com prometido no penúltimo post aqui, hoje volto para falar um pouco mais do mundo de Noritvy em si, deixando o futebol de lado.

Sabe, o curioso é que, enquanto eu escrevia “O Retorno” e mesmo antes, quando eu ainda estava rascunhando a historia que se passaria antes de “O Retorno” que eu acabei deixando de lado (e que sim, pretendo publicar um dia), eu nunca me peguei pensando em como seria o mundo onde a historia se passaria. Pensava em Arlon com grandes campinas verdejantes, em Erdan com seus campos férteis cortados vários rios e só. Na verdade nem pensava em outros reinos (tanto que pouco, ou, para ser preciso, quase nada é dito deles no livro), não me preocupava com isso.

Acontece que em 2005 (sim, à longos oito anos!) eu comecei a bolar um site para promover os personagens deste mundo de fantasia que eu começara a criar. Naquela época, a única coisa que eu tinha escrito era a primitiva primeira versão de “O Retorno” e o conto “Irmãs” (que dentro em breve vocês terão a chance de desfrutar (mas isso é assunto para outro post) mas já tinha pensado em vários personagens, varias historias e o continente de Noritvy começava a surgir embora ainda não tivesse uma forma precisa.

Conversando com um amigo virtual, Rodolfo Avarellos, eu comentei com ele a situação, a minha incapacidade de definir o formato do mundo e a minha falta de talento com o Photoshop (e congêneres). Foi ai que ele veio me salvar. Ele sugeriu que eu abrisse um arquivo em branco bem grande no Adobe, selecionasse a ferramenta lápis e desenhasse de olhos fechados para ver o que sairia. E saiu o mapa que vocês já conhecem (ou quase).

E, sabem, foi bom, pois eu gostei do resultado (se não tivesse gostado eu não usaria, né?) e, o mais importante, ao menos para mim, é que ele saiu bem irregular, bem natural, afinal, continentes são massas de terra que sofrem erosão, efeitos de marés, ventos, etc, não tem como ser uma forma geométrica perfeitinha, não é mesmo?

Definido o mapa, o passo seguinte foi onde colocar Arlon e Erdan. As características de cada reino estavam mais ou menos definidas, com Arlon sendo um grande vale verde de clima ameno, cortado por um grande rio e no meio de duas cordilheiras e Erdan ficando mais ao sul, num delta fértil e com clima mais quente.

Colocado os dois e desenhado os rios e as cordilheiras, resolvi acrescentar desertos, mais rios e o mapa finalmente tomou forma. Faltava agora ocupa-lo. Aqueles que leram “O Retorno” sabem que o livro se passa basicamente em Arlon e Erdan e, até então eu não havia pensado em mais nenhuma nação. Desenhando o mapa, me veio o estalo do Reino Alado, de onde coloca-lo, uma vez que ele era citado no livro mas de maneira muito rápida. Fora isso, nada eu bolara e nada tão cedo eu bolaria. Tanto que no mapa de 2005, na legenda dele, dizia que, fora os três reinos, haviam apenas varias cidades estado espalhadas pelo continente.

Varias cidades estado é algo que soa como uma solução preguiçosa, não? E de fato havia sido. Mesmo nos poucos contos escritos por mim no período entre 2005 e 2011, eu ainda não abordava nenhum reino, me contentando com a solução preguiçosa mesmo. Isso começou a mudar quando comecei a preparar a versão do livro que foi publicada e, em paralelo à esta, o guia de material complementar de  Noritvy (cujo link para download se encontra na parte de extras do site) e começaram a brotar ideias de como ocupar melhor o mapa de Noritvy.

Primeiro aprofundei melhor a ideia da Confederação de Cidades Estado que fica na península oriental. Criei uma cidade líder, uma cidade fundadora, uma certa rivalidade e algum “background”.

Depois resolvi trabalhar no conceito dos reinos anões. Decidi de cara que, apesar de serem reinos da mesma raça, seriam reinos culturalmente opostos. A grande inspiração para Griffia, o reino dos anões cavaleiros de grifos, foi a cultura inca e andina, não que você vá encontrar um anão tomando chá de coca lá ou torcendo pelo Sporting Cristal. Na verdade me inspirei nas cidades elevadas deles, ligadas por estradas escavadas nas rochas e pontes de cordas, nas suas roupas coloridas e nas suas plantação em encostas. Os anões de Griffia encarnam bem o lado fanfarrão e expansivo do típico anão de jogo de rpg.

Já os anões  das Montanhas Negras, bem, são o inverso dos seus primos de Griffia e, embora, em parte, sejam realmente inspirados no lado mesquinho dos anões da obra do Professor Tolkien, também são inspirados numa fonte mais antiga, da qual o professor também bebeu: os anões dos mitos nórdicos, trancados em seus palácios, criando fungo atrás das orelhas sentados nas suas pilhas de ouro. Tá, tudo bem que os meus anões das Montanhas na verdade estão mais pro Zangado da Branca de Neve do que para o Andvari do mito nórdico mas acho que deu para captar a ideia, não?

Quando eu estava preparando a parte de religiões do guia de material complementar, tive a ideia de fazer uma religião de adoradores do sol com trajes inspirados nos árabes, uma ideia não muito original, uma vez eu joguei um jogo de rpg que tinha algo parecido mas eu gostei da ideia, fazer o que? E resolvi dar à eles uma cidade estado “sagrada” e, como no mapa eu ainda não havia citado nada na porção sul deste, decidi que ela ficaria na “porta de entrada” do grande deserto do sul, na beira do único rio permanente deste, quase uma cidade egípcia na beira do Nilo.

É, acho que já me estendi demais por hoje. E, acreditem, há mais o que falar. Por isso, semana que vem eu volto com “O nascimento de um mundo – parte 2”. Abraços e um  bom domingo!

 

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