Noritvy

O nascimento de um mundo – Parte 2

Finalmente retorno com a prometida parte dois de “O nascimento de um mundo”. E não se espantem, será um post bem mais curto do que o primeiro, até porque naquele eu acabei me desviando um pouco do foco original do post, que era falar da geografia do continente e eu acabei falando de geopolítica.

Antes de falar um pouco mais sobre o resto do mundo de Noritvy, deixa eu terminar de falar sobre o continente de Noritvy. Para aqueles que leram o post anterior e compararam as informações dadas por mim com o mapa, verão que eu nada disse sobre o que existe ao sul do deserto e é proposital. Até hoje a única coisa que defini sobre lá é que tem uma geografia no melhor estilo “savana africana” e que lá habitam os negros no continente. Como eu não tive, até agora, uma boa ideia de como preencher aquela região, optei, de maneira proposital, não aborda-la nos contos e historias que estou escrevendo para não “gastar” uma grande região como uma ideia ruim. Mas tenham certeza de que, assim que eu tiver uma  boa ideia sobre aquela região, eu a usarei e a divulgarei.

Com relação ao resto do mundo. Bem, em alguns contos inéditos eu já tinha falado, por alto, da existência de terras à leste e à oeste de Noritvy mas nunca havia chegado a pensar numa geografia em especifico para elas. Imagina varias ilhas à oeste, um grande continente à leste e só.

Para desenhar essas porções de terras, bem, recorri à mesma estratégia já feita antes: abri um grande arquivo em branco e desenhei à mão livre. E assim surgiram as Terras Ocidentais e o Grande Continente de Orbi.

Sobre a geopolítica dessas duas áreas não há muito o que ser dito pois pouco ainda foi planejado por mim. Em Orbi, o que defini é que terá pontos onde a cultura lembrara a cultura eslava, em outros as culturas asiáticas (japonesa, chinesa e mongol, principalmente), fazendo um pouco de paralelismo com o continente asiático da Terra, onde você tem o norte dominado pela Rússia, com uma cultura “eslavo-cristã-ocidental” e mais ao sul, culturas tipicamente “asiáticas”. Não que eu vá respeitar essa divisão geográfica em Orbi. E, ao mesmo, tempo, quanto aos seres humanos desta região, bem, já defini que terão asiáticos, ocidentais e mesmo elfos, embora esses em pequena proporção e mais na costa oeste.

Quanto às Terras Ocidentais, bem, as únicas coisas que defini é que são habitadas  por povos cujo aspecto físico lembra os polinesios e o ameríndios aqui da Terra, variando de ilha para ilha e que culturalmente também lembraram, com uma cultura mais alegre, com uma alimentação com muitas frutas e um espírito bem tropical. Não, não terá ninguém dançando hula hula lá ou o haka mas algo bem próximo sim. Além disso, as ilhas ocidentais abrigam os últimos halflings deste mundo, mortos em Noritvy por se levantarem contras os dragões.

Alias, por falar em dragões, bem, é justamente nas Terras Ocidentais e em Orbi que vivem os últimos exemplares dessa magnifica espécie. Nas Terras Ocidentais moram os dragões verdes, brancos e prateados que governam algumas das ilhas maiores, sendo reis justos e amados pelo povo. Se olharem no mapa, verão que existe uma ilha com uma montanha solitária ao norte das Terras, é nessa ilha que habitam os dragões verdes. Já em Orbi vivem os dragões dourados e os azuis (o clã de dragões mais poderoso de todos) mas que, diferente dos dragões das Terras Ocidentais, optaram por morar isolados nas montanhas que existem ao centro de Orbi, só interferindo quando acham que é necessário fazê-lo e sempre visando o que é melhor para todo o mundo de Noritvy.

Resumindo um pouco esses dois posts, posso dizer que para traçar a cultura do continente de Noritvy, misturei um pouco de Europa, África e Oriente Medio, enquanto Orbi seria a própria Ásia e as Terras Ocidentais um pouco América, um pouco Polinésia.

 

O nascimento de um mundo

Bem, com prometido no penúltimo post aqui, hoje volto para falar um pouco mais do mundo de Noritvy em si, deixando o futebol de lado.

Sabe, o curioso é que, enquanto eu escrevia “O Retorno” e mesmo antes, quando eu ainda estava rascunhando a historia que se passaria antes de “O Retorno” que eu acabei deixando de lado (e que sim, pretendo publicar um dia), eu nunca me peguei pensando em como seria o mundo onde a historia se passaria. Pensava em Arlon com grandes campinas verdejantes, em Erdan com seus campos férteis cortados vários rios e só. Na verdade nem pensava em outros reinos (tanto que pouco, ou, para ser preciso, quase nada é dito deles no livro), não me preocupava com isso.

Acontece que em 2005 (sim, à longos oito anos!) eu comecei a bolar um site para promover os personagens deste mundo de fantasia que eu começara a criar. Naquela época, a única coisa que eu tinha escrito era a primitiva primeira versão de “O Retorno” e o conto “Irmãs” (que dentro em breve vocês terão a chance de desfrutar (mas isso é assunto para outro post) mas já tinha pensado em vários personagens, varias historias e o continente de Noritvy começava a surgir embora ainda não tivesse uma forma precisa.

Conversando com um amigo virtual, Rodolfo Avarellos, eu comentei com ele a situação, a minha incapacidade de definir o formato do mundo e a minha falta de talento com o Photoshop (e congêneres). Foi ai que ele veio me salvar. Ele sugeriu que eu abrisse um arquivo em branco bem grande no Adobe, selecionasse a ferramenta lápis e desenhasse de olhos fechados para ver o que sairia. E saiu o mapa que vocês já conhecem (ou quase).

E, sabem, foi bom, pois eu gostei do resultado (se não tivesse gostado eu não usaria, né?) e, o mais importante, ao menos para mim, é que ele saiu bem irregular, bem natural, afinal, continentes são massas de terra que sofrem erosão, efeitos de marés, ventos, etc, não tem como ser uma forma geométrica perfeitinha, não é mesmo?

Definido o mapa, o passo seguinte foi onde colocar Arlon e Erdan. As características de cada reino estavam mais ou menos definidas, com Arlon sendo um grande vale verde de clima ameno, cortado por um grande rio e no meio de duas cordilheiras e Erdan ficando mais ao sul, num delta fértil e com clima mais quente.

Colocado os dois e desenhado os rios e as cordilheiras, resolvi acrescentar desertos, mais rios e o mapa finalmente tomou forma. Faltava agora ocupa-lo. Aqueles que leram “O Retorno” sabem que o livro se passa basicamente em Arlon e Erdan e, até então eu não havia pensado em mais nenhuma nação. Desenhando o mapa, me veio o estalo do Reino Alado, de onde coloca-lo, uma vez que ele era citado no livro mas de maneira muito rápida. Fora isso, nada eu bolara e nada tão cedo eu bolaria. Tanto que no mapa de 2005, na legenda dele, dizia que, fora os três reinos, haviam apenas varias cidades estado espalhadas pelo continente.

Varias cidades estado é algo que soa como uma solução preguiçosa, não? E de fato havia sido. Mesmo nos poucos contos escritos por mim no período entre 2005 e 2011, eu ainda não abordava nenhum reino, me contentando com a solução preguiçosa mesmo. Isso começou a mudar quando comecei a preparar a versão do livro que foi publicada e, em paralelo à esta, o guia de material complementar de  Noritvy (cujo link para download se encontra na parte de extras do site) e começaram a brotar ideias de como ocupar melhor o mapa de Noritvy.

Primeiro aprofundei melhor a ideia da Confederação de Cidades Estado que fica na península oriental. Criei uma cidade líder, uma cidade fundadora, uma certa rivalidade e algum “background”.

Depois resolvi trabalhar no conceito dos reinos anões. Decidi de cara que, apesar de serem reinos da mesma raça, seriam reinos culturalmente opostos. A grande inspiração para Griffia, o reino dos anões cavaleiros de grifos, foi a cultura inca e andina, não que você vá encontrar um anão tomando chá de coca lá ou torcendo pelo Sporting Cristal. Na verdade me inspirei nas cidades elevadas deles, ligadas por estradas escavadas nas rochas e pontes de cordas, nas suas roupas coloridas e nas suas plantação em encostas. Os anões de Griffia encarnam bem o lado fanfarrão e expansivo do típico anão de jogo de rpg.

Já os anões  das Montanhas Negras, bem, são o inverso dos seus primos de Griffia e, embora, em parte, sejam realmente inspirados no lado mesquinho dos anões da obra do Professor Tolkien, também são inspirados numa fonte mais antiga, da qual o professor também bebeu: os anões dos mitos nórdicos, trancados em seus palácios, criando fungo atrás das orelhas sentados nas suas pilhas de ouro. Tá, tudo bem que os meus anões das Montanhas na verdade estão mais pro Zangado da Branca de Neve do que para o Andvari do mito nórdico mas acho que deu para captar a ideia, não?

Quando eu estava preparando a parte de religiões do guia de material complementar, tive a ideia de fazer uma religião de adoradores do sol com trajes inspirados nos árabes, uma ideia não muito original, uma vez eu joguei um jogo de rpg que tinha algo parecido mas eu gostei da ideia, fazer o que? E resolvi dar à eles uma cidade estado “sagrada” e, como no mapa eu ainda não havia citado nada na porção sul deste, decidi que ela ficaria na “porta de entrada” do grande deserto do sul, na beira do único rio permanente deste, quase uma cidade egípcia na beira do Nilo.

É, acho que já me estendi demais por hoje. E, acreditem, há mais o que falar. Por isso, semana que vem eu volto com “O nascimento de um mundo – parte 2”. Abraços e um  bom domingo!

 

Futebol em Noritvy

Bem, como prometido, eis me aqui de regresso. Eu prometi falar um pouco mais sobre o mundo de Noritvy mas confesso que hoje vou fugir um pouco ao tema. E, não, por favor não surtem com o titulo do post. Eu não pretendo introduzir futebol num mundo de temática medieval como Noritvy, embora exista relatos de jogos com bola na época medieval como o “calcio” italiano.

Acontece que eu sempre fui fascinado por símbolos e bandeiras desde moleque e, por consequência, acabei me apaixonando por camisas de futebol pois estas carregam o mesmo simbolismo que uma bandeira, afinal não falamos em “honrar as cores nacionais” e “honrar as cores da camisa que veste”? Alias, minha paixão por camisas é tão grande que hoje tenho uma coleção de mais de cinquenta camisas de futebol (se algum leitor morar em alguma cidade que tenha algum time com uma camisa no mínimo curiosa e quiser me mandar uma de presente, saiba que aceitarei com prazer).

Agora, deixando de lado o momento “cara de pau”, outro dia, assistindo um jogo das Copas das Confederações, me peguei pensando: se existissem seleções de futebol em Noritvy, como seriam seus uniformes? E, acreditem, essa ideia não me saiu da cabeça. Conclusão? Liguei o laptop, abri o Photoshop e preparei os uniformes que, obviamente, compartilharei com vocês, caros leitores:

Futebol Mini

(alias, basta clicar na imagem para vê-la maior)

Claro que, se houvesse futebol em Noritvy, os anões seriam os candidatos virtuais à saco de pancas, principalmente os das Montanhas Negras, onde só tem anão vivendo pois, bem, um goleiro de 1,60 m não dá, né?

Mas, bobagens à parte, até que os uniformes ficaram legais, não? Se quiserem, nos comentários, digam de qual vocês gostaram mais ou, até mesmo, digam o que fariam de diferente.

Um grande abraço e um bom domingo à todos!

 

As casas de Noritvy

Na verdade, na verdade, esse post aqui esta fora de ordem. Antes de escrever sobre os brasões das principais famílias do continente, eu deveria falar dos brasões dos reinos pois, como verão abaixo, muitos estão intimamente correlacionados aos símbolos dos principais reinos do continente de Noritvy, mas me deu vontade de fazer o contrario.

Bianchi: é obvio que esse seria o primeiro brasão do qual eu falarei. O brasão dos Bianchi, como pode ser visto aqui, é azul, com uma cruz branca e uma rosa vermelha cruzada por cima. O brasão está intimamente associado à história do casal que fundou a casa no continente de Noritvy, trazendo a cruz como símbolo da fé introduzida por ele e a rosa como o presente que ele deu à ela. Inicialmente eu pensei em um brasão branco, uma vez que esse é o significado de Bianchi mas achei que ficaria um tanto “pobre”. Como azul é a cor dos detalhes da armadura do Cavaleiro Branco e o primeiro a usa-la foi justamente o fundador da casa, achei que tinha à ver.

Fornorimar: este é o brasão que justifica aquele parágrafo inicial. Quando estava escrevendo “O Retorno” e bolei o brasão do Reino de Arlon, de cara defini que as cores dos Fornorimar seriam branco e vermelho mas eu nunca havia pensado em como seria o brasão propriamente dito. Só parei para pensar nisso quando comecei a refazer os brasões dos reinos com imagens vetoriais. Inicialmente o brasão de Arlon era dividido em quatro campos, com dois azuis, nas cores dos Bianchis e dois que seriam brancos com borda vermelha mas, na hora de passar pro vetorial, ficou feio, assim optei pela padrão listrado vermelho e branco. Na hora de desenhar o brasão, foi simples: o padrão listrado no fundo, o castelo, que eu havia definido como o símbolo da casa Fornorimar, devido às fortalezas fundadas por eles e duas espadas cruzadas atras. Ah, o brasão pode ser visto aqui.

Ralit: embora eu fale muito pouco da casa de Ralit em “O Retorno”, é uma casa que criei para ser a casa rival dos Bianchi. Como é uma família de cavaleiros, adotei o cavalo como símbolo deles e, para fazer contraste para o azul dos Bianchis, adotei o vermelho como cor de fundo. Os raios no brasão, que se vê aqui, eu acrescentei após escrever o texto sobre as espadas lendárias (que faz parte do livreto “Noritvy: Material Complementar” que pode ser baixado na seção de Extras aqui do site) quando defini qual seria a arma lendária dos Ralit.

Tull: a casa de Tull é a casa governante do povo alado e, quando eu comecei a criar as bandeiras dos reinos e seus respectivos brasões, decidi que as cores do Reino Alado (o reino dos ahatars) seriam o verde e o amarelo e que o animal símbolo deles seria a águia. Assim é normal que o brasão da casa de Tull tivesse todos esses elementos. Alias, o brasão pode ser visto aqui.

Assus: outra casa pouco citada em “O Retorno” (para não dizer não citada), comanda o reino dos anões cavaleiros de grifos, por isso, no seu brasão, coloquei dois grifos amarelos junto de um martelo, como podem ver aqui.

Petrin: a outra casa real dos anões, a casa de Petrin governa o reino subterrâneo das Montanhas Negras, que, na minha concepção, seria um reino de escultores e artesãos, por isso, no brasão, como pode ser visto se clicar aqui eu usei ferramentas de escultor e as cores negra e amarela, que defini sendo as cores do reino das Montanhas Negras.

Aquamarine: essa casa, que não é citada em “O Retorno” surgiu por causa do brasão. Sim, é serio. Eu estava “brincando” de criar brasões, procurando imagens vetoriais adequadas quando encontrei um desenho bem legal de uma ancora dourada. Acrescentei ondas ao fundo, dois leões marinhos e “voi lá”, criei o brasão que eu acho o mais bonito de todos (e que vocês podem conferir clicando aqui). Diante de um brasão legal eu pensei que a família merecia uma história legal e assim, estabeleci que o fundador do clã, o primeiro Duque de Aquamarine seria um filho bastardo do segundo rei de Sudher (ou seja, um Bianchi) com uma elfa nobre casada, o que faria deles um ramo colateral e parente distantes da casa de Bianchi, ou seja, de Lucca e cia. E se ficastes curioso sobre eles, leitor, saiba que abordarei mais essa casa em historias que pretendo lançar futuramente.

E ai? De qual brasão você gostou mais, leitor? De qual família queres saber mais? Deixe seu comentário e, dentro do possível, responderei à todas as perguntas.