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O significado dos nomes – parte 2

Oi, olha eu aqui “traveis”. Como foi prometido por mim, retorno aqui para contar a origem de outros nomes. Antes de tudo tem algumas coisa que eu tenho que dizer (ou escrever, como preferirem). Eu, desde moleque, sempre fui fã de aliterações, ou seja, quando há repetições de sons consonantais, uma figura de linguagem muito usada em poemas. Além disso, um dos escritores que mais me marcou foi Pedro Bandeira com a sua serie de livros “Os Karas”.

“Os Karas” era uma serie de livros que mostrava um grupo de colegiais (justamente “Os Karas”) que desvendavam crimes. E uma das maneiras que eles tinham de se comunicar sem que os adversários entendessem era o código Tênis-Polar, que não era bem uma aliteração mas que usava um principio parecido: sobrepondo as duas palavras, que possuem o mesmo número de letras, vogais e consoantes e nas mesmas posições, eles promoviam uma troca de letras, onde o T virava P, o E virava O e vice versa e assim iam ao longo das cinco letras.

Mas porque eu escrevi tudo isso? É que para poderem entender a escolha de alguns nomes eu precisava explicar isso. Agora, sem enrolação e vamos aos nomes.

Siegfried (ou só Sieg mesmo): bem, meio que já expliquei o porque deste nome no post anterior. A diferença é que o meu Siegfried tem uma vida muito menos sofrida e triste do que seu homônimo famoso. Além disso, é um nome que transmite bem o que é o personagem (ou ao menos assim eu acho): forte, experiente e sábio.

Liliana: esse é um nome que embora não tenha sido criação minha, é um nome que simplesmente me ocorreu quando bolava a personagem. É um nome que me passa força mas de uma maneira suave, como a personagem. Alias, Liliana é um nome latino e que significa lírio segundo algumas fontes e, como eu gosto de nomes derivados de elementos da natureza, isso só me fez ter mais certeza da minha escolha.

Ardriel: bem, esse nome foi bolado por mim. Eu queria um nome aristocrático, que soasse diferente, algo “incomum” visto que seria um nome “elfico”. O significado que eu bolei para ele, no meu “elfico antigo” seria Claridade Vitoriosa, onde “ar” seria claridade e “driel” vitoriosa. Sim, no meu cenário o elfico se escreveria na ordem latina, ou seja, primeiro o substantivo e depois o adjetivo. Mas, não se enganem, na verdade o nome é uma mistura do nome de duas elfas famosas dos livros do Professor Tolkien. Alguém consegue descobrir quem são?

Ahmadriel e Ahmawen: as irmãs rainhas. Esses nomes sim foram bolados totalmente por mim, sem mistura de nada. Depois de bolar o nome da Ardriel e o significado para este, peguei gosto por isso e resolvi usar o radical -driel de novo. Ai vem a aliteração da qual falei no topo. Eu gosto de gêmeos com nomes parecidos. É algo pouco criativo, eu sei mas eu gosto. Então eu fiz uma aliteração no inicio do nome delas e só mudei o radical do final, criando assim o nome delas. Ahmadriel significaria, no idioma antigo dos elfos de Noritvy, paz vitoriosa enquanto Ahmawen significaria paz duradoura.

Tauron e Tiron: os irmãos reis. De novo, irmãos gêmeos com nomes parecidos e bolados cem por cento por mim. O primeiro nome que criei foi Tiron. A partir dele e usando uma simples troca de letras tentei todas as vogais no lugar do i, no melhor estilo “Tenis-Polar”: Taron, Teron, Toron e Turon. Desses o que mais me agradou, inicialmente, foi Teron mas mesmo esse não agradava. Ai, pesquisando outra coisa, dei de cara com a palavra “Taurus”, ou seja, touro, uma palavra que transmite força e então pensei: por que não misturar as duas coisas e, assim, surgiu Tauron: uma mistura de Tiron com Taurus. E, ao meu ver, acabou ficando adequado pois, para mim, o nome Tiron transmite uma sensação mais calma enquanto Tauron transmite força ou ao menos assim me parece.

Galawel: a primogênita de Lucca e filha adotiva de Ardriel. Outro nome bolado por mim e, originalmente, seria Galawen mas achei que Galawel soava melhor. E, na hora de bolar o significado, defini que este seria “beleza salvadora”, o que tem a ver com o passado dela e, principalmente, com o passado da mãe dela (que ainda vou explicitar, por isso nada de spoilers).

Eukhadi: pode parecer estranho uma vez que o personagem é negro mas eu tirei o nome de “Euskadi”, ou seja, Pais Basco em basco. Achei que dava um bom nome de mago e, por ser o único personagem negro entre os personagens de destaque eu queria um nome bem diferente do resto, indicando ele ser proveniente de outro lugar, de outra cultura.

Por fim, sei que não são nomes de personagens mas o nome dos reinos principais, Erdan e Arlon surgiram de maneira parecida com a que surgiu o nome dos reis que os governam. O primeiro nome que bolei foi Erdan, à mais de dez anos atrás e não me lembro mais se tive inspiração em alguma coisa ou não. Já Arlon surgiu dentro do esquema “Tenis-Polar”. Se repararem, ambos os nomes tem o mesmo número de letras, o mesmo número de vogais e consoantes e tanto o r quanto o n estão na mesma posição.

Bem, espero, sinceramente, que tenham gostado da explicação da origem dos nomes. Em breve pretendo voltar aqui com a explicação do nome e dos símbolos dos principais reinos.

Abraços e um bom fim de semana para todos!

O significado dos nomes

Já me perguntaram mais de uma vez como um autor escolhe o nome dos seus personagens. Cada um tem sua técnica. Eu, particularmente, imagino primeiro personagem para depois escolher um nome que combine com ele, isso na maioria das vezes pois tem vezes que eu acabo tendo branco e acabo tendo que recorrer à ajudas de alguns amigos/colaboradores (Nicolas, Adriana, Miguel e Marina são os que eu normalmente alugo).

Hoje eu vou falar um pouco mais dos quatro protagonistas de “O Retorno”, de como escolhi o nome deles e de como construí a personalidade deles.

Lucca: apesar dos que dizem o contrario, não escolhi o nome por ter o mesmo significado que o meu e tão pouco baseei o personagem em mim. Alias, teria que ser muito egocêntrico para fazê-lo. Lucca, não com esse nome, é um personagem que já habitava minha imaginação muito antes de eu começar a bolar “O Retorno”.

Desde moleque sempre fui de livros que contavam aventuras de “capa e espada”. Dois que particularmente marcaram a minha infância foram “Os três mosqueteiros” do genial Alexandre Dumas e “A espada de Siegfried” de Katharine Scherman, uma versão mais juvenil da história do “Anel dos Nibelugos”. Além disso era fã das historias dos cavaleiros do Rei Arthur. Assim Lucca, nada mais é do que o herói que eu gostaria de ser na minha infância, um cavaleiro numa armadura brilhante, pronto para enfrentar feras terríveis e salvar damas em perigo. Claro que em “O Retorno” ele demonstra um lado bem humano pois heróis perfeitos, vamos convir, são muito chatos.

E nome é por minha causa? Não, a escolha do nome surgiu quando, visitando uma pagina com significado de nomes na internet eu descobri que Lucca/Luca/Lucas e mesmo Lúcio tem o mesmo significado: iluminado, luminoso pois derivariam da palavra latina “Lux” que significa luz.

Quando vi isso, o personagem ganhou seu nome. Mas isso não me impediu se ter um pé atras, de temer que as pessoas confundissem o Lucca personagem com o Lucas autor, a ponto de cogitar lançar o livro com um pseudônimo, idéia da qual fui dissuadido pela minha querida editora, Noga Sklar.

Ah, uma curiosidade: Luke, nome do protagonista do clássico “Guerra nas Estrelas” nada mais é do que a forma inglesa de Lucas, que, por sua vez, vem à ser o segundo nome do diretor do filme, George Lucas.

Bernardo: é um nome que me agrada, gosto do som, quase foi o meu nome pois, quando nasci, meus pais estavam em duvida entre Lucas e Bernardo. Assim, quando criei o Bernardo, visando ele ser um contra ponto ao Lucca, resolvi batiza-lo com um nome que foi um “contra ponto” ao meu na cabeça dos meus pais.

Se Lucca é um cara mais serio, mais na dele, devido à tudo que já viveu, Bernardo é mais leve, mais debochado, não tendo paciência com formalidades, é aquele cara que perde o amigo mas não perde a piada. Mas, ao mesmo tempo, é um companheiro fiel, dedicado e que está disposto à ir até o fim por aquilo que acredita e por aqueles que ama.

Renata: outro nome que me agrada, afinal não ia usar um nome que achasse feio, não é mesmo? Escolhi Renata pois desde o inicio defini na minha cabeça que a namorada de Bernardo só o chamaria de “Bê” e assim quis um nome que rendesse à ela um apelido parecido e assim foi formado o casal “Bê e Rê”.

A personalidade de Renata foi criada para completar a de Bernardo. Se ele é mais “falastrão” e inconseqüente no que fala, ela, por sua vez, é calada e super educada, puxando a orelha do namorado sempre que este passa dos limites.

Rubi: deixei por fim Rubi, justamente por ser ela a protagonista do livro, junto com Lucca. Sim, a “mocinha”, se “O Retorno” fosse uma novela, seria justamente ela, embora o par romântico de Lucca seja Ardriel. Quando bolei a Rubi, inicialmente, nenhum nome me vinha à cabeça. Ocorre que, na época que eu comecei a rascunhar a versão de “O Retorno” que acabou sendo publicada, estava passando a novela “Kubanacan” onde havia uma personagem chamada Rubi, que era interpretada pela ótima Carolina Ferraz e que era uma mulher corajosa, um pouco pavio curto e boa de briga.

Bem, essas eram algumas das caraterísticas da personagem que eu havia bolado, então acabei pegando o nome “emprestado”. A minha Rubi é uma garota de 16 anos, romântica sonhadora, um tanto insegura com relação à sua aparência mas disposta à tudo para ajudar os amigos. Essas características a faz entrar em confronto algumas vezes com Lucca, por serem demasiadamente iguais em certos aspectos e totalmente opostos em outros mas, no fim, a amizade deles acaba falando mais alto.

Por hoje vou ficar por aqui mas até semana que vem eu prometo voltar com a origem do nome de alguns dos principais coadjuvantes de “O Retorno”.