Alana, uma adolescente de 15 anos, entrou no escritório do apartamento onde morava e onde sua mãe Rebeca se encontrava revisando alguns documentos da firma onde trabalhava
– Mãe?
– Sim, Alana?
– A vovó, outro dia, disse que você quase se chamou Lorena ou Isabel, e quando eu perguntei por que ela disse que você me explicaria melhor.
– Eu esperaria essa língua solta do teu avô, não da tua avó.
– Você vai explicar, afinal?
Rebeca começou a rir.
– Filha, às vezes você é tão parecida comigo na adolescência que até parece que eu sou sua mãe de sangue.
– Eu não me importaria nem um pouco de ser tua filha de sangue, mas não acha que vai me comprar com rasgação de seda, como diria o vovô, né?
– Hahahaah. Bom, segundo os seus avós, eu fui “feita” durante uma viagem em que os teus bisavós ficaram com os meus irmãos para que os meus pais pudessem ter um momento a sós. Sem crianças por perto, eles aproveitaram para conhecer algumas vinícolas no interior de São Paulo e até se hospedaram em uma delas, que tinha um hotel dentro da propriedade. Contam que foram namorar no parreiral; o clima foi esquentando enquanto bebiam vinho em espreguiçadeiras sob as parreiras, e, segundo os cálculos deles, bastou chegarem ao quarto para que eu fosse “feita”.
– Tá, e o que isso tem a ver com os seus possíveis nomes?
– Isabel e Lorena são tipos de uvas usadas para fazer vinho…
Alana começou a rir.
– Sabe, eu prefiro Rebeca, talvez por eu já estar acostumada…
– Eu também, filha, eu também.
– Mas eu a amaria do mesmo jeito se você fosse a mamãe Isabel ou a mamãe Lorena.
Rebeca abraçou a filha com um sorriso nos lábios e a beijou na testa.
(Ardriel e Lucca namorando no parreiral)

